Já se sabe que uma mulher pode ser inteligente e não saber se proteger de relações amorosas destrutivas. Pode ter uma carreira de sucesso e não ser inteligente no âmbito emocional. Porque ser inteligente na vida amorosa é muito diferente de ser inteligente em aspectos práticos ou meramente intelectuais. E porque não se trata apenas de tipos diferentes de inteligência (predomina atualmente a aceitação da existência de sete tipos de inteligência: a lingüística; lógico-matemática; visual-espacial; musical, corpóreo-cinestésica; interpessoal e intrapessoal).

Muitas vezes, uma mulher age de modo “pouco inteligente” movida por fatores alheios à capacidade intelectual ou racional dela. Pode ser, por exemplo, em decorrência de “complexos psicológicos”, como o paterno, materno, de inferioridade ou o de salvadora, para citar alguns. Em terapia é possível identificar que forças psíquicas e até arquetípicas levam-na a envolver-se e a permanecer envolvida em relacionamentos de extremo sofrimento, desgaste energético e enormes prejuízos.

Pense numa mulher que se envolve com um homem problemático, infantilizado, dependente ou não de drogas/álcool, inseguro, pouco ou nada atento às necessidades afetivas dela (e também financeiras, pro que não?), além de ser agressivo. Mesmo sofrendo com as “respostas comportamentais” inadequadas do parceiro, ela se diz apaixonada por ele, sente-se incapaz de ficar sem esse “amor”. Por trás dessa emoção aprisionante quase sempre há elementos como: falta de referencial de relação de qualidade (falta de modelo adequado de namorado/marido que valha a pena), expectativas baseadas em ilusões, aprendizado de fantasiar a realidade e/ou repetição de modelo de relação vivido pela própria mãe ou um forte complexo de inferioridade, entre inúmeras possibilidades de “afastamento” da saúde.

Intrincados complexos psicológicos controlam as emoções, os pensamentos e os comportamentos das pessoas, de modo inconsciente, levando-as a entrar em ciclos viciosos de erros e sofrimentos como se estivessem presas em areia movediça que a puxa para baixo a medida que se debatem para sair do fundo do poço. Os complexos são como entidades independentes ou sub-personalidades que parecem se rebelar e querer fazer valer uma vontade própria. É preciso identificar a presença dessas forças psíquicas e “esvaziar” os complexos para promover a inversão necessária: controlar as próprias emoções em vez de sermos dominados por elas.

Quando uma mulher conhece a si própria, ainda que em profundidade parcial, ela alcança a compreensão racional e emocional de que ser inteligente na vida profissional e na vida emocional é buscar uma relação a dois que a faça mais feliz do que sofredora; é ter um namoro ou casamento que propicie o crescimento de ambos; é recusar relacionamentos apenas problemáticos; é separar-se de pessoas que a controlam e das que afetem sua auto-estima; é recusar “amor de migalhas”. 

Quase todas as mulheres, em algum momento de suas vidas, vivem paixões desestruturantes, obsessivas, pouco compensadoras. Não reside nisso nenhum motivo de auto-condenação. São as descobertas da viva. São os processos necessários de crescimento. O aspecto patológico, o grande erro é permanecer num envolvimento afetivo desse gênero além do tempo necessário para constatar que na relação custo-benefício o resultado é negativo para ela.

Passar sozinha finais de semana, feriados, datas festivas e outros eventos tradicionais sucessivas vezes, enquanto o “namorado” vive esses momentos com outras pessoas, ficar sem companhia para compartilhar alegrias e dificuldades, para ir ao teatro, ao cinema ou reuniões de amigos e ainda assim permanecer fiel a essa emoção é na verdade abdicar da felicidade, é autopunição, é viver em ilusão. Refiro-me, nesse caso, às mulheres que sofrem por estarem apaixonadas por homens casados, situação bem comum na nossa sociedade, herdeira de valores machistas.

Não vivemos em cultura que aceita mais de uma esposa por homem, mas tacitamente autoriza os machos a terem parceiras não reconhecidas – uma prática mais nociva do que a anterior, posto que no Oriente Médio é permitido a um homem ter mais de uma esposa DESDE QUE ELE CUIDE IGUALMENTE DE TODAS AS MULHERES.

Por aqui, como em Portugal, possivelmente de onde veio tal herança maldita, os homens não ficam só com uma mulher, não passam anos a fio amando, beijando uma única mulher, se divertido só com uma, sendo “confirmados” apenas por uma mulher, mas acreditam ter obrigação de cuidar, de se preocupar apenas com a mulher oficial, aquela a quem chamam de esposa, mas à qual não dedicam lealdade afetiva nem sexual. A conseqüência: sofrimento, muito sofrimento! E adoecimento.   

Recebemos em consultórios de psicologia grande número de mulheres afetadas, prejudicadas, quase destruídas por relações com homens descomprometidos com o bem-estar, o equilíbrio, o futuro, a saúde psico-emocional de mulheres de quem eles recebem muito! Dando quase nada em troca.

Que os homens não suponham que eu os tomo por carrascos, cafajestes ou coisa assim. Não. Pelo menos não a todos. Como já expliquei em outro post (POR QUE OS HOMENS TRAEM), também eles são vítimas de complexos e outras armadilhas psicológicas. Incomodam-me, sim, aqueles que sequer param para refletir nos resultados das próprias ações, que agem como se ainda fossem crianças inconseqüentes ou seres primitivos, meramente instintivos.  

Viver em constante estado de perturbação, sofrendo perdas de todos os tipos (a maior delas, a passagem do tempo sem construir um futuro em bases realistas) indica que a mulher pode ter deixado de se amar (se é que algum dia o fez). Em vez de estar amando um homem que desconstrói, está, na verdade, vivendo uma obsessão; pode estar “travada” num processo patológico.    As conseqüências fisiológicas não tardam a surgir: ansiedade, enxaqueca, dores de diferentes tipos, estresse físico e emocional, palpitações, perturbações gastrointestinais, distúrbio do sono e depressão, entre outras. As perdas econômicas também vêm à galope.

“Toda mulher já nasce pra morrer de amor”. Que as mulheres se neguem a acreditar nisso. É um pensamento infeliz. E viver acreditando nisso, uma postura auto-destrutiva. Em vez disso, que elas dêem o grito de libertação, que façam movimentos em prol da própria salvação, da cura dos complexos que a aprisionam a relações de sofrimento.  

O tom talvez raivoso desta reflexão tem origem no estado de sofrimento, no grau de desestruturação de uma paciente que comecei a atender esta semana. Claro que pode também ser resultante de projeções.

 

Postado por Carmelita Rodrigues

 “É típico de um homem moderno começar um casamento com uma imagem anímica projetada na esposa; ele somente começa a conhecer a esposa como mulher depois que a projeção começa a se esvanecer. Ele descobre que a ama  como mulher, que a valoriza e a respeita, ele sente a beleza de estar comprometido com ela e saber que ela está comprometida com ele. Um dia, porém, ele encontra outra mulher que capta a projeção da anima dele, e ele não conhece nada sobre anima e menos ainda sobre projeção; sabe apenas que essa “outra mulher” parece ser a essência da perfeição; uma luz dourada parece envolvê-la, e a vida torna-se excitante e ganha significado, sempre que ele está em sua companhia.” Nesse trecho, do livro WE – A Chave da Psicologia do Amor Romântico, Robert A. Johnson recorre à teoria junguiana para explicar a infidelidade masculina. Obviamente, grande parte do que é exposto aplica-se também às mulheres, mudando as projeções (na mulher, o objeto de projeção é o animus, a contraparte masculina que há nas mulheres). Aspectos culturais também promovem uma ou outra diferença psicológica e/ou comportamental na mulher, em comparação com o homem, mas o “caminho” é semelhante.   À parte os casos de complexo materno, um homem enamora-se de uma mulher e por ela se sente atraído quando enxerga nela aspectos de sua personalidade feminina, de sua anima. Equivocadamente, ele tenta encontrar fora de si o que, na realidade, está dentro dele e que exige ser reconhecido, integrado. Sem a percepção consciente disso, alguns homens levam a vida inteira trocando de parceiras nessa busca, guiados por uma necessidade inconsciente. Um tipo de moralidade diz a ele que é preciso buscar  a paixão a qualquer custo; que ele tem o direito de se apaixonar e que a paixão é tudo que importa na vida. Cedo ou tarde a paixão devotada a uma mulher se esvai, migra para outra, que passa a ser o novo objeto de projeção. Se o compromisso dele for apenas de seguir a paixão, nunca conseguirá ser verdadeiramente fiel a alguém. Uma parte de si dirá ao homem que ele tem o direito de encontrar e estar com sua anima. Então,  ele vai buscar no corpo  e no jeito de ser da “outra mulher”, na qual ele julga ter encontrado sua “metade”, essa emoção que ele precisa sentir: a paixão. Até compreender que a busca da anima deve ser interna, que essa contraparte dele é uma entidade interna, uma sub-personalidade, esse homem vai orientar-se pela necessidade de se sentir “apaixonado”. O sentir-se “apaixonado” é a sensação ilusória de ter encontrado a parte complementar.  Agindo assim, “acreditamos que temos o direito de seguir nossas projeções onde quer que elas nos levem e de buscar a paixão pela paixão, sem levar em conta os relacionamentos que se rompem, sem levar em consideração as pessoas a quem magoamos. Inconscientemente elegemos a paixão nosso bem mais elevado, a nossa principal meta na vida, e todos os demais valores são sacrificados pelo bem dela.” (Johnson, op.cit.pág. 142). É o que ocorre quando as pessoas se unem apenas pela paixão, por vezes motivadas por projeções de ambas as partes: o homem escolhe aquela mulher projetando nela sua anima; a mulher um homem projetando nele seu animus. São relações em que o compromisso é com a paixão.  Mas outra dimensão do homem mobilizado pela paixão, outro tipo de moralidade que há nele, dirá que é errado trair a esposa e enveredar por um caminho que arruinará o casamento e toda uma vida formatada em torno desse relacionamento importante. Ele vai racionalizar que é preciso cuidar do casamento, do amor pela esposa, da relação que o alimenta, dá-lhe segurança e estabilidade. Entra em ação o conflito entre forças arquetípicas e a moralidade de compromisso, uma moralidade por vezes considerada anacrônica, fora de moda. Mas “por trás de cada ideal de moralidade existe algo que merece ser examinado: um conjunto de valores humanos. Esse valores não são fabricados arbitrariamente a partir do nada, eles vêm de algum lugar das profundezas da psique humana e atendem a necessidades humanas genuínas. Cedo demais a moralidade torna-se um sistema social superficial, um fóssil calcificado a fixar regras arbitrárias, inteiramente desligado das verdadeiras necessidades das pessoas. Mas podemos olhar além da artificialidade e descobrir quais as reais necessidades que esse sistema atende” (op. cit.). As relações amorosas se deterioram quando, erroneamente, supomos que a paixão é o ingrediente essencial para manter uma relação. Na verdade, à luz da teoria junguiana, Johnson explica que os ingredientes essenciais para um relacionamento são afeto e compromisso. Johnson afirma, ainda, que a lealdade e o compromisso são também arquétipos da estrutura humana, tão necessários quanto o alimento e o ar. A moralidade de compromisso decorre dessa necessidade por relacionamentos estáveis, sinceros e duradouros.  Para evitar o desmoronamento de relações significativas é necessário, então, parar de fazer projeções de anima e animus nos cônjuges, viver a relação com as pessoas enxergando-as e amando-as como elas são na realidade. No caso do homem, a contraparte feminina deve ser buscada interiormente. E deve ser devidamente integrada. Como isso ocorre? O caminho mais seguro e mais fácil é recorrendo à psicoterapia. Embora, algumas pessoas mais treinadas em processos de auto-ajuda podem também obter grandes avanços a  partir de leituras, algumas já recomendadas neste blog, e da prática de imaginação ativa. Livro: WE – A Chave da Psicologia do Amor Romântico, Autor: Robert A. JohnsonEditora: Mercuryo, São Paulo, 1987. Postado por Carmelita Rodrigues, em 13.02.08 

Por que os relacionamentos homem-mulher freqüentemente fracassam ou são permeados de muito sofrimento, frustrações e até crimes contra a vida? Uma resposta possível entre tantas é: por causa das expectativas, das exigências impossíveis de serem atendidas. Para nós ocidentais a experiência do amor romântico é um complexo conjunto psicológico, uma combinação de ideais, crenças, valores, atitudes, anseios e expectativas, por vezes contraditórias, existentes em nosso inconsciente e que se manifestam em forma de emoções, sensações e comportamentos. Mesmo sem nos darmos conta, por ser fenômeno resultante de forças inconscientes, predeterminamos como deve ser nosso relacionamento com o parceiro ou a parceira, o que devemos sentir e em que deve resultar a relação. Fazemos projeções inconscientes e com base nelas cobramos dos nossos parceiros a realização de nossos anseios mais profundos.

Quase sempre essas expectativas levam à elaboração de um “contrato” unilateral. O outro raramente concorda ou sequer está a par das cláusulas desse “instrumento”. Não que as partes ajam de má fé; como já foi dito, é algo inconsciente. E mesmo quando o compromisso é “assinado” pelas duas partes ocorrem desentendimentos.

Homem e mulher desenvolvem o lado sentimental de modo diferente; a experiência de envolvimento amoroso tem para as mulheres nuances sutis que os homens vivenciam de forma diversa devido a inúmeros fatores. Um forte impedimento para o amor romântico construtivo é a predominância de valores patriarcais, em detrimento dos aspectos femininos do ser humano. Em essência, homem e mulher tem o yin e o yang (masculino e feminino), são compostos por animus e anima em suas essências. E essas duas partes de cada um devem estar integradas. Caetano Veloso cantou: “ser um homem feminino, não fere o meu lado masculino”. Não somente não fere, como faz dele um ser completo, melhor.

Orientados pelo anseio de completude e vivendo num mundo de dominação patriarcal em que a força e as virtudes do feminino foram subjugados, a maioria dos homens busca na mulher o seu lado feminino perdido, os valores femininos da vida e suas tentativas para vivenciá-los por meio da mulher. Igualmente influenciadas pela versão patriarcal da realidade, as mulheres buscam nos homens valores masculinos. Muitas gastam toda a vida alimentando sentimento de inferioridade em relação ao homem ou competindo com eles para se sentirem em pé de igualdade. Em que pode resultar o relacionamento entre um homem em conflito com sua anima, plenamente dominado pelo animus, e uma mulher igualmente distanciada de seu animus, tomada apenas pela anima?

Freqüentemente, nesses casos ou naqueles em que apenas uma das partes está sem a integração da sua dimensão complementar, há uma busca equivocada de plenitude no outro, na noção fantasiosa de que existe perdida por aí uma alma gêmea, uma banda de si que está desgarrada e, se for encontrada, irá completar o sentido da vida. Na verdade, essa parte oposta está dentro de cada um e a sensação de completude só ocorre quando acontece a aceitação e a integração do masculino com o feminino dentro de cada um de nós.

Há um princípio alquimista que diz: “só o que está separado pode ser devidamente unido.” Coisas e pessoas “misturadas” de forma confusa terão que ser desembaraçadas, separadas e identificadas antes de serem unidas em novo elemento. A separatio “dá ensejo à existência consciente; é a separação entre sujeito e objeto, entre o eu e o não-eu” (Edinger, 2005).

Esse é o objetivo maior da psicoterapia: separar conteúdos, sentimentos, valores confusos e todos os emaranhados do psiquismo, abrindo caminho rumo à individuação, à busca da totalidade do ser. Posteriormente, neste espaço, ampliaremos essa visão do homem integrado com seu lado feminino e da mulher com sua dimensão masculina num texto sobre o livro Parceiros Invisíveis, do escritor John A. Stanford.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

. Edinger, Edward F. Anatomia da Psique: O Simbolismo Alquímico da Psicoterapia. São Paulo, Editora Cultrix, 2005.

. Johnson, Robert A. Imaginação Ativa (Inner Work): como trabalhar com sonhos, símbolos e fantasias. São Paulo, Editora Mercuryo, 2003.

. ________ We: A Chave da Psicologia do Amor Romântico. São Paulo, Editora Mercuryo,1989.

. Jung, C. Gustav. Psicologia e Religião. Petrópolis. (RJ), Ed. Vozes, 1984.

. ________ Memórias, sonhos e Reflexões. São Paulo, Ed. Nova Fronteira, 2005.

. Stein, Murray.Jung, o Mapa da Alma. São Paulo, Editora Cultrix, 2006.

Por que os relacionamentos homem-mulher freqüentemente fracassam ou são permeados de muito sofrimento, frustrações e até crimes contra a vida? Uma resposta possível entre tantas é: por causa das expectativas, das exigências impossíveis de serem atendidas.

Para nós ocidentais a experiência do amor romântico é um complexo conjunto psicológico, uma combinação de ideais, crenças, valores, atitudes, anseios e expectativas, por vezes contraditórias, existentes em nosso inconsciente e que se manifestam em forma de emoções, sensações e comportamentos.

Mesmo sem nos darmos conta, por ser fenômeno resultante de forças inconscientes, predeterminamos como deve ser nosso relacionamento com o parceiro ou a parceira, o que devemos sentir e em que deve resultar a relação. Fazemos projeções inconscientes e com base nelas cobramos dos nossos parceiros a realização de nossos anseios mais profundos (entenda melhor isso lendo o post Nos desentendimentos amorosos, escolha entre a espada e a harpa ).

Quase sempre essas expectativas levam à elaboração de um “contrato” unilateral. O outro raramente concorda ou sequer está a par das cláusulas desse instrumento. Não que as partes ajam de má fé; como já foi dito, é algo inconsciente. E mesmo quando o compromisso é “assinado” pelas duas partes ocorrem desentendimentos.

Homem e mulher desenvolvem o lado sentimental de modo diferente; a experiência de envolvimento amoroso tem para as mulheres nuances sutis que os homens vivenciam de forma diversa devido a inúmeros fatores.

Um forte impedimento para o amor romântico construtivo é a predominância de valores patriarcais, em detrimento dos aspectos femininos do ser humano. Em essência, homem e mulher tem o yin e o yang (masculino e feminino), são compostos por animus e anima em suas essências. E essas duas partes de cada um devem estar integradas. Caetano Veloso cantou: “ser um homem feminino, não fere o meu lado masculino”. Não somente não fere, como faz dele um ser completo, melhor.

Orientados pelo anseio de completude e vivendo num mundo de dominação patriarcal em que a força e as virtudes do feminino foram subjugados, a maioria dos homens busca na mulher o seu lado feminino perdido, os valores femininos da vida e suas tentativas para vivenciá-los por meio da mulher.

Igualmente influenciadas pela versão patriarcal da realidade, as mulheres buscam nos homens valores masculinos. Muitas gastam toda a vida alimentando sentimento de inferioridade em relação ao homem ou competindo com eles para se sentirem em pé de igualdade.

Em que pode resultar o relacionamento entre um homem em conflito com sua anima, plenamente dominado pelo animus, e uma mulher igualmente distanciada de seu animus, tomada apenas pela anima?

Freqüentemente, nesses casos ou naqueles em que apenas uma das partes está sem a integração da sua dimensão complementar, há uma busca equivocada de plenitude no outro, na noção fantasiosa de que existe perdida por aí uma alma gêmea, uma banda de si que está desgarrada e, se for encontrada, irá completar o sentido da vida. Na verdade, essa parte oposta está dentro de cada um e a sensação de completude só ocorre quando acontece a aceitação e a integração do masculino com o feminino dentro de cada um de nós.

Há um princípio alquimista que diz: “só o que está separado pode ser devidamente unido.” Coisas e pessoas “misturadas” de forma confusa terão que ser desembaraçadas, separadas e identificadas antes de serem unidas em novo elemento. A separatio “dá ensejo à existência consciente; é a separação entre sujeito e objeto, entre o eu e o não-eu” (Edinger, 2005). Esse é o objetivo maior da psicoterapia: separar conteúdos, sentimentos, valores confusos e todos os emaranhados do psiquismo, abrindo caminho rumo à individuação, à busca da totalidade do ser.

Posteriormente, neste espaço, ampliaremos essa visão do homem integrado com seu lado feminino e da mulher com sua dimensão masculina num texto sobre o livro Parceiros Invisíveis, do escritor John A. Stanford.

Referências bibliográficas:

. Edinger, Edward F. Anatomia da Psique: O Simbolismo Alquímico da    

  Psicoterapia. São Paulo, Editora Cultrix, 2005.

. Johnson, Robert A. Imaginação Ativa (Inner Work): como trabalhar com  

  sonhos, símbolos e fantasias. São Paulo, Editora Mercuryo, 2003.

. _________ . We: A Chave da Psicologia do Amor Romântico. São Paulo,

  Editora Mercuryo,1989.

. Jung, C. Gustav. Psicologia e Religião. Petrópolis (RJ), Ed. Vozes, 1984.

. ________ . Memórias, sonhos e Reflexões. São Paulo, Ed. Nova Fronteira, 2005.

. Stein, Murray. Jung, o Mapa da Alma. São Paulo, Editora Cultrix, 2006.