Estão abertas as inscrições para a próxima turma do curso Especialização em Psicologia Clínica – Gestalt-Terapia (Indivíduo, Grupo e Família), uma pós-graduação oferecida pelo Instituto de Gestalt-terapia e Atendimento Familiar (IGT), do Rio. A formação é reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), o que significa que ao final os participantes aprovados (se forem psicólogos com no mínimo dois anos de registro no CRP) podem requerer o título de Especialista em Psicologia Clínica. Com duração de 2 anos e meio, o curso terá aulas teóricas, workshops, atendimentos clínicos (a clientes individuais, grupos, casais e famílias) e supervisões. A especialização, destinada a psicólogos e estudantes de psicologia a partir do 9º semestre, terá turmas de no máximo 12 alunos, com aulas semanais noturnas às sexta-feiras. As atividades vão começar no dia 13 de março.
13/12/2008
Pós-graduação em Gestalt-terapia
Posted by psicopauta under .Página Principal | Tags: CFP, gestalt-terapia, pós-graduação, psicologia clínica |1 Comment
01/03/2008
Vade-mécum de Gestalt-terapia
Posted by psicopauta under Livros | Tags: auto-regulação organísmica, awareness, bloqueio de contato, Gestalt, gestalt-terapia, Jorge Ponciano, psicologia, psicoterapia, terapeuta, vade-mécum |1 Comment
Um trabalho voltado para as necessidades dos profissionais e clientes de psicoterapias; instrumento para a compreensão dos conceitos e orientações sobre a prática, clínica ou em outros espaços, da Gestalt-terapia; ferramenta para pesquisadores. VADE-MÉCUM DE GESTALT-TERAPIA, Conceitos Básicos é tudo isso. E é bem mais do que isso, além de ser mais um precioso esforço de Jorge Ponciano para tornar a abordagem gestáltica e a Gestalt-terapia compreendidas, conhecidas, corretamente utilizadas e reconhecidas em todas as suas complexidades e, paradoxalmente, simplicidade. O livro aprofunda a compreensão dos conceitos e faz paralelos com o uso prático deles, funcionando como instrumento de trabalho imprescindível. Temos no Brasil poucas obras de autores brasileiros dedicadas a clarificar a compreensão da abordagem gestáltica e enriquecimento da psicologia humanista; dos poucos existentes, a maioria é de Ponciano, que conhece bem essa demanda e faz mais um esforço para preencher a lacuna. A linguagem metafórica amplia a possibilidade de compreensão, respeitando os potenciais e bagagens intelecto-psicoemocionais de cada leitor, sobretudo no momento de relacionar teoria e prática clínica. Veja como os 28 conceitos foram abordados no livro lendo trechos de três deles:
Auto-regulação organísmica: “O instrumento de manutenção da vida é a auto-regulação do organismo no mundo e a partir dele. Por intermédio dos comportamentos moleculares e molares, cada ser se auto-regula conforme a necessidade do próprio organismo, aqui e agora. (…) Sem tergiversar, o corpo apresenta aquilo que precisa para um funcionamento adequado e um equilíbrio estável; entretanto, estamos acostumados a ver nossos corpos desrespeitados ou a desrespeitá-los, obrigando-os a funcionar com sobrecarga física, emocional e espiritual. (…) Somos biopsicossocioespirituais e auto-regular-se é não perder a perspectiva dessa quádrupla dimensão humana. Cada uma dessas dimensões tem necessidades próprias que, embora juntas, formam um sistema auto-regulador que distribui os diversos apelos ou necessidades organísmicas, de tal modo que num comportamento vicário, organicamente inteligente, o sistema mais saudável tenta satisfazer um menos saudável, para que o organismo, como um todo, possa funcionar a contento. É o que chamamos função holísitica dos sistemas. Temos de recordar que, às vezes, a própria doença é uma forma precária de auto-regulação e também o caminho que o organismo encontrou para se proteger de um mal maior.” Pág. 56-57.
Awareness: “O estar consciente de que se está consciente, não como um ato cognitivo apenas, mas como algo integrador e transformador. É um momento de síntese emocional, no qual parte e todo, figura e fundo se transformam em parte-todo, figura-fundo, desaparecendo o objeto na subjetividade emocional do sujeito. Awareness é um momento de encontro com minha totalidade, buscada sempre pelas mais variadas formas de ampliação de consciência. (…) Awareness é um caminho de mudança, um processo de integração harmoniosa pessoa-mundo, de tal modo que fica na pessoa a sensação de fim de linha, de chegada de uma longa e difícil viagem e, sobretudo, uma sensação de completude, de um chão fecundo em que as sementes já podem germinar. Estar reflexivamente consciente de si mesmo no mundo é ter encontrado respostas de cujas perguntas pouco ou nada se sabia.” Pág. 75-76.
Bloqueio de contato: “A essência do bloqueio é sua consciência administrativa, ou seja, tenho consciência de que a experiência que vivo, aqui-agora, é insuportável; quero me livrar dela e uso meios claros para bloqueá-la. Procuro e encontro argumentos emocionais e os introduzo na minha experiência a fim de me livrar das sensações ou pensamentos insuportáveis, bloqueando conscientemente a sensação de contato interior comigo mesmo. (…) Palavras mestras na arte de ser terapeuta: delicadeza, ternura, cuidado. Ninguém se bloqueia porque quer ou por teimosia, pois até o querer se bloquear já é algo que nos diz onde a pessoa se encontra. Assim, quando identificamos algo a que chamamos bloqueio (afinal, o que a pessoa está fazendo é apenas se auto-regular, se auto-ajustar) precisamos de toda nossa perícia para entrar na casa protegida do cliente. Se abrirmos portas e janelas, porque assim pensamos ou sentimos que deva ser, podemos dar entrada a ventos e tufões que o cliente não tem nenhuma condição de enfrentar. Os bloqueios e as resistências do cliente precisam contar com uma amorosa proteção do terapeuta, pois eles não estão ali sem motivos. Bloqueios e resistências são forças de pessoas que, momentaneamente, perderam a confiança em seu poder pessoal e só com muito cuidado, isto é, ao se sentirem cuidadas e aceitas pelo que são e como estão, poderão recuperar seu poder pessoal de estar na vida de maneira saudável e sem medo. Atrás de todo bloqueio há um medo, mas não é o bloqueio que deve ser objeto de cuidado, e sim os componentes envolvidos nesse medo, que impedem a pessoa de se expressar, de sorrir e de viver como verdadeiramente é.” Pág. 81-82.
Sobre o autor: Jorge Ponciano Ribeiro é graduado em Filosofia e Teologia; mestre e doutor em Psicologia pela Universidade Pontifícia Salesiana de Roma; tem formação em Psicanálise e Psicologia Analítica de Grupo e em Gestalt-terapia; fez dois pós-doutorado na Inglaterra; tem quarenta anos de magistério superior; é fundador e presidente do Instituto de Gestalt-terapia de Brasília (IGTB) e autor de vários livros, incluindo: Do Self e da Ipseidade; Ruídos: contato, luz, liberdade; Gestalt-terapia de curta duração; O Ciclo do Contato; Gestalt–terapia: o processo grupal e Gestalt-terapia: refazendo um caminho.
Vade-mécum de Gestalt-terapia – Conceitos Básicos
Autor: Jorge Ponciano Ribeiro
Editora Summus, São Paulo, 2006
14/02/2008
Livro-poema de Jorge Ponciano: crônicas de uma “vida gestáltica”
Posted by psicopauta under Livros | Tags: aqui e agora, envelhecimento, eutanásia, Gestalt, gestalt-terapia, Jorge Ponciano, liberdade, luz, psicologia, Ruídos: contato, terapia em grupo, velhice |Leave a Comment
“São sete horas da noite. Sentado em minha cadeira, espero, como sempre, com uma ligeira ansiedade, a chegada do primeiro cliente. Já se vão 35 anos desde que conclui meu doutorado sobre “grupos”, e mesmo assim, nunca estou completamente despreocupado, porque nada no grupo desta semana será semelhante ao grupo da semana passada.” É com esta simplicidade que Jorge Ponciano inicia um dos capítulos do livro Ruídos: contato, luz, liberdade – um jeito gestáltico de falar do espaço e do tempo vividos. A obra reúne crônicas, relatos, pequenas histórias repletas de reflexões, pensamentos e vivências orientadas ora pela sabedoria de quem é genuinamente gestaltista.
Em outro capítulo, Ponciano descreve em detalhes uma sessão de gestalt-terapia em grupo; obviamente sem identificar os participantes nem trair o segredo profissional. A descrição é de grande valor tanto para os profissionais de psicologia quanto para pessoas que desejem ter uma idéia sobre “isso de fazer terapia em grupo”, no caso, sob a orientação gestáltica.
Em outra historia, uma das inúmeras e deliciosas reminiscências contidas no livro, ele revela, com a mesma simplicidade sábia que permeia toda a obra, seus conflitos e dúvidas quanto à eutanásia, e conta o sofrimento vivido ao acompanhar o envelhecimento, adoecimento e morte do cãozinho de estimação. Desnudando suas incertezas, encerra o texto admitindo que continua sem saber se tomou a decisão certa quanto a mandar sacrificar ou não o “grande amigo”. E admitindo-se aberto - como sempre esteve – a mais um aprendizado, pergunta aos leitores: “O que você acha? Você o sacrificaria?”
No mesmo texto, o autor nos convida a penar sobre a velhice e afirma: “a velhice não deveria ser imobilizante. Imobilizante é viver sem ideal, sem uma crença, sem esperança, sem estar enamorado de si mesmo, com medo de não ser aceito, transformando os pensamentos dos outros em regras de autocontrole, com medo dos riscos de aceitação, do amor, da realidade; enfim, de colocar a mão na massa na construção real do hoje, no aqui e agora de cada dia.” Ruídos: contato, luz, liberdade é, além de tudo o que já foi dito, um poema! Poesia dedicada à Natureza, aquela que é verde, amarela, vermelha, azul, a de flores, ventos, montanhas, bichos e águas… e à natureza masculina&feminina, yin&yang, animus&anima que há dentro de cada um de nós, homens ou mulheres – ou melhor: simultaneamente homem e mulher.
Livro: RUÍDOS: CONTATO, LUZ, LIBERDADE – um jeito gestáltico de falar do espaço e do tempo vividos.Autor: Jorge Ponciano RibeiroEditora: Summus Editorial; São Paulo-SP, 2006
Postado por Carmelita Rodrigues, em 14.02.08
