“São sete horas da noite. Sentado em minha cadeira, espero, como sempre, com uma ligeira ansiedade, a chegada do primeiro cliente. Já se vão 35 anos desde que conclui meu doutorado sobre “grupos”, e mesmo assim, nunca estou completamente despreocupado, porque nada no grupo desta semana será semelhante ao grupo da semana passada.” É com esta simplicidade que Jorge Ponciano inicia um dos capítulos do livro Ruídos: contato, luz, liberdade – um jeito gestáltico de falar do espaço e do tempo vividos. A obra reúne crônicas, relatos, pequenas histórias repletas de reflexões, pensamentos e vivências orientadas ora pela sabedoria de quem é genuinamente gestaltista.      

Em outro capítulo, Ponciano descreve em detalhes uma sessão de gestalt-terapia em grupo; obviamente sem identificar os participantes nem trair o segredo profissional. A descrição é de grande valor tanto para os profissionais de psicologia quanto para pessoas que desejem ter uma idéia sobre “isso de fazer terapia em grupo”, no caso, sob a orientação gestáltica.      

Em outra historia, uma das inúmeras e deliciosas reminiscências contidas no livro, ele revela, com a mesma simplicidade sábia que permeia toda a obra, seus conflitos e dúvidas quanto à eutanásia, e conta o sofrimento vivido ao acompanhar o envelhecimento, adoecimento e morte do cãozinho de estimação. Desnudando suas incertezas, encerra o texto admitindo que continua sem saber se tomou a decisão certa quanto a mandar sacrificar ou não o “grande amigo”. E admitindo-se aberto -  como sempre esteve – a mais um aprendizado, pergunta aos leitores: “O que você acha? Você o sacrificaria?”     

No mesmo texto, o autor nos convida a penar sobre a velhice e afirma: “a velhice não deveria ser imobilizante. Imobilizante é viver sem ideal, sem uma crença, sem esperança, sem estar enamorado de si mesmo, com medo de não ser aceito, transformando os pensamentos dos outros em regras de autocontrole, com medo dos riscos de aceitação, do amor, da realidade; enfim, de colocar  a mão na massa na construção real do hoje, no aqui e agora de cada dia.”       Ruídos: contato, luz, liberdade é, além de tudo o que já foi dito, um poema! Poesia dedicada à Natureza, aquela que é verde, amarela, vermelha, azul, a de flores, ventos, montanhas, bichos e águas… e à natureza masculina&feminina, yin&yang, animus&anima que há dentro de cada um de nós, homens ou mulheres – ou melhor: simultaneamente homem e mulher. 

Livro: RUÍDOS: CONTATO, LUZ, LIBERDADEum jeito gestáltico de falar do espaço e do tempo vividos.Autor: Jorge Ponciano RibeiroEditora: Summus Editorial; São Paulo-SP, 2006 

Postado por Carmelita Rodrigues, em 14.02.08

Você já ouviu ou leu algo sobre “cuidados paliativos” e “hospice”? Matéria de um jornal de circulação interna da União Social Camiliana, uma rede com atuação na área de educação e saúde, chamou minha atenção para o tema, sobre o qual resolvi postar algo. A expressão cuidados paliativos por vezes é confundida com indução à morte e até eutanásia por suspensão de medicação. Mas refere-se, na verdade, a cuidados com pacientes com doenças em estágio terminal e sem possibilidade de cura. Na explicação de Leo Pessini, padre e professor da União Camiliana, os cuidados paliativos não abreviam a vida da pessoa, “apenas aceitam que a morte natural é uma dimensão do processo de viver. Também não é suspensão do tratamento, apenas daqueles considerados mais fúteis, que somente prolongariam o sofrimento da pessoa”.Em 1990 a Organização Mundial da Saúde definiu Cuidados Paliativos como sendo “o cuidado ativo total de pacientes cuja doença não responde mais ao tratamento curativo. Controle da dor e de outros sintomas e problemas de ordem psicológica, social e espiritual são prioritários. O objetivo dos Cuidados Paliativos é proporcionar a melhor qualidade de vida para os pacientes e seus familiares”.O termo “hospice” aparece associado ao conceito de “cuidado”, no sentido de filosofia do cuidar de pacientes portadores de doenças crônico degenerativas ou em situações de expectativa de vida diminuída.Encontrei um interessante artigo sobre esse tema, escrito por Leo Pessini, Doutor em Teologia Moral/Bioética e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Bioética no site PRÁTICA HOSPITALAR . Leia o artigo AQUI.

Postado por Carmelita Rodrigues, 11.09.07