A política assistencialista de Lula (como a de antecessores de estilo semelhante)  não salva vidas, mata a dignidade e o impulso para o crescimento. E não funciona, entre outros motivos, porque alimenta o Complexo Paterno de pessoas em dificuldade. Fatos concretos comprovam isso, como o que ocorreu entre costureiras do Ceará, beneficiadas pelo famigerado programa Bolsa Família. Leiam o que ocorreu por lá, segundo Gilberto Simões Pires.

“A demanda por mão de obra na indústria têxtil é imensa e precisa ser constantemente formada e preparada. Diante disso, o Sinditêxtil fechou um acordo com o governo para coordenar um curso de formação de costureiras. O governo exigiu que o curso deveria atender a um grupo de 500 mulheres que recebem o Bolsa Família. De novo: só para aquelas que recebem o Bolsa Família.
O importante acordo foi fechado dentro das seguintes atribuições: o governo entrou com o recurso; o Senai com a formação das costureiras, através de um curso de 120 horas/aula; e, o Sinditêxtil com o compromisso de enviar o cadastro das formandas às inúmeras indústrias do setor, que dariam emprego às novas costureiras. Pela carência de mão obra, a idéia não poderia ser melhor. Pois é. O curso foi concluído recentemente e com isto os cadastros das costureiras formadas foram enviados para as empresas, que se prontificaram em fazer as contratações. E foi nessa hora que a porca torceu o rabo, gente. Anotem aí: o número de contratações foi ZERO. Entenderam bem? ZERO.
Enquanto ouvia o relato, até imaginei que o número poderia ser baixo, mas o fato é que não houve uma contratação sequer. ZERO. Sem qualquer exagero. O motivo? Simples, embora triste e muito lamentável, como afirma com dó, o diretor do Sinditêxtil. Todas as costureiras, por estarem incluídas no Bolsa Família, se
negaram a trabalhar com carteira assinada. Para todas as 500
costureiras que fizeram o curso, o Bolsa Família é um beneficio que não pode ser perdido. É para sempre. Nenhuma admite perder o subsidio.
SEM NEGÓCIO- Repito: de forma uníssona, a condição imposta pelas 500 formandas é de que não se negocia a perda do Bolsa Família. Para trabalhar como costureira, só recebendo por fora, na informalidade.Como as empresas se negaram, nenhuma costureira foi aproveitada. O que sobrou disso tudo? Muita coisa. O custo alto para formar as costureiras foi desperdiçado. E pelo que foi dito no ambiente da FIEC, casos idênticos do mesmo horror estão se multiplicando em vários setores. Considerando que a região nordeste do país contempla o maior número de beneficiados com o Bolsa Família, aí está a razão para sermos todos imbecis e idiotas.”

Pessoas com experiência de privação (de afeto e material) desenvolvem o que Jung chamou de Complexo Paterno (pode ser também Materno). Em vez dessas pessoas serem orientadas a superar as próprias dificuldades e  a valorizarem a integridade humana, os programas asssistencialistas alimentam a  crença de que deve haver um pai que os livre dos apertos, que os salve ou ampare. O crescimento emocional e espiritual fica para a próxima reencarnação. Onde está o mérito dessas ações, então? Na ltaa do lixo, que é para onde vai também grande parte de recursos públicos administrados por políticos sem escrúpulos ou gestores equivocados, pra não dizer incompetentes. O prejuízo não é só para os “assistidos”, claro, mas também para o País como um todo, para a economia brasileira e para os contribuintes, que desejam ver suas contribuições usadas no atendimento de demandas reais e legítimas da  coletividade – sem politicagens.

As mulheres demoram em média 10 anos para sair de uma relação violenta, segundo estatísticas mundiais. A informação é da acadêmica Noemí Díaz Marroquín, da Faculdade de Psicologia da Universidade Nacional Autônoma do  México (UNAM), durante a conferência “Prevención y atención psicológica en caso de violencia contra la mujer en pareja”. A pesquisadora afirmou que nessas situações de violência doméstica a mulher sofre isolamento, falta de apoio familiar e social, assim como institucional, de saúde e judicial.

Explicou que as mulheres não abandonam seus parceiros violentos, em situaçõs de amor banido, entre outras causas, pela dependência econômica, por medo do agressor, de perder os filhos, por minimizarem as ocorrências de agressão, terem sentimentos de vergonha e humilhação e por apresentarem baixa autoestima.

Díaz Marroquín disse que existe um contrato, às vezes em forma de documento, noutras vezes apenas tácito, de apoio, de carinho e lealdade, inclusive de não falar da violência fora de casa. “Se a mulher conseguir violar esse contrato já é um ganho, um passo a frente”, afirmou Diaz Marroquín.

Acrescentou que as mulheres que sofrem violência dentro de uma relação conjugal apresentam também sintomas de depressão e ansiedade, fobias, medo antecipado de maus tratos, transtorno do sono, hipervigilância, irritabilidade e embotamento emocional.

Todas essas informações são comprovadas na prática clínica, no atendimento a mulheres vitimizadas por seus parceiros. Foi o que pude constatar trabalhando com mulheres encaminhadas pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam).  Mas há um aspecto que posso acrescentar com base em minha experiência clínica pela abordagem analítica: algumas mulheres continuam presas a companheiros violentos, que as maltratam, mesmo sem haver dependência econômica. Isso porque há forças inconscientes envolvidas. Em alguns casos, as mulheres estão com complexos constelados, como o “Complexo de Salvadora”, ou o “Complexo Paterno”, entre outros. É preciso chegar a esses complexos, que mantêm essas mulheres fixadas em equívocos, e esvaziá-los, para que elas comecem a recuperar a saúde psicoemocional, reconstruam a autoestima e voltem a acreditar na possibilidade de ser feliz.

Postado por Carmelita Rodrigues.

Já se sabe que uma mulher pode ser inteligente e não saber se proteger de relações amorosas destrutivas. Pode ter uma carreira de sucesso e não ser inteligente no âmbito emocional. Porque ser inteligente na vida amorosa é muito diferente de ser inteligente em aspectos práticos ou meramente intelectuais. E porque não se trata apenas de tipos diferentes de inteligência (predomina atualmente a aceitação da existência de sete tipos de inteligência: a lingüística; lógico-matemática; visual-espacial; musical, corpóreo-cinestésica; interpessoal e intrapessoal).

Muitas vezes, uma mulher age de modo “pouco inteligente” movida por fatores alheios à capacidade intelectual ou racional dela. Pode ser, por exemplo, em decorrência de “complexos psicológicos”, como o paterno, materno, de inferioridade ou o de salvadora, para citar alguns. Em terapia é possível identificar que forças psíquicas e até arquetípicas levam-na a envolver-se e a permanecer envolvida em relacionamentos de extremo sofrimento, desgaste energético e enormes prejuízos.

Pense numa mulher que se envolve com um homem problemático, infantilizado, dependente ou não de drogas/álcool, inseguro, pouco ou nada atento às necessidades afetivas dela (e também financeiras, pro que não?), além de ser agressivo. Mesmo sofrendo com as “respostas comportamentais” inadequadas do parceiro, ela se diz apaixonada por ele, sente-se incapaz de ficar sem esse “amor”. Por trás dessa emoção aprisionante quase sempre há elementos como: falta de referencial de relação de qualidade (falta de modelo adequado de namorado/marido que valha a pena), expectativas baseadas em ilusões, aprendizado de fantasiar a realidade e/ou repetição de modelo de relação vivido pela própria mãe ou um forte complexo de inferioridade, entre inúmeras possibilidades de “afastamento” da saúde.

Intrincados complexos psicológicos controlam as emoções, os pensamentos e os comportamentos das pessoas, de modo inconsciente, levando-as a entrar em ciclos viciosos de erros e sofrimentos como se estivessem presas em areia movediça que a puxa para baixo a medida que se debatem para sair do fundo do poço. Os complexos são como entidades independentes ou sub-personalidades que parecem se rebelar e querer fazer valer uma vontade própria. É preciso identificar a presença dessas forças psíquicas e “esvaziar” os complexos para promover a inversão necessária: controlar as próprias emoções em vez de sermos dominados por elas.

Quando uma mulher conhece a si própria, ainda que em profundidade parcial, ela alcança a compreensão racional e emocional de que ser inteligente na vida profissional e na vida emocional é buscar uma relação a dois que a faça mais feliz do que sofredora; é ter um namoro ou casamento que propicie o crescimento de ambos; é recusar relacionamentos apenas problemáticos; é separar-se de pessoas que a controlam e das que afetem sua auto-estima; é recusar “amor de migalhas”. 

Quase todas as mulheres, em algum momento de suas vidas, vivem paixões desestruturantes, obsessivas, pouco compensadoras. Não reside nisso nenhum motivo de auto-condenação. São as descobertas da viva. São os processos necessários de crescimento. O aspecto patológico, o grande erro é permanecer num envolvimento afetivo desse gênero além do tempo necessário para constatar que na relação custo-benefício o resultado é negativo para ela.

Passar sozinha finais de semana, feriados, datas festivas e outros eventos tradicionais sucessivas vezes, enquanto o “namorado” vive esses momentos com outras pessoas, ficar sem companhia para compartilhar alegrias e dificuldades, para ir ao teatro, ao cinema ou reuniões de amigos e ainda assim permanecer fiel a essa emoção é na verdade abdicar da felicidade, é autopunição, é viver em ilusão. Refiro-me, nesse caso, às mulheres que sofrem por estarem apaixonadas por homens casados, situação bem comum na nossa sociedade, herdeira de valores machistas.

Não vivemos em cultura que aceita mais de uma esposa por homem, mas tacitamente autoriza os machos a terem parceiras não reconhecidas – uma prática mais nociva do que a anterior, posto que no Oriente Médio é permitido a um homem ter mais de uma esposa DESDE QUE ELE CUIDE IGUALMENTE DE TODAS AS MULHERES.

Por aqui, como em Portugal, possivelmente de onde veio tal herança maldita, os homens não ficam só com uma mulher, não passam anos a fio amando, beijando uma única mulher, se divertido só com uma, sendo “confirmados” apenas por uma mulher, mas acreditam ter obrigação de cuidar, de se preocupar apenas com a mulher oficial, aquela a quem chamam de esposa, mas à qual não dedicam lealdade afetiva nem sexual. A conseqüência: sofrimento, muito sofrimento! E adoecimento.   

Recebemos em consultórios de psicologia grande número de mulheres afetadas, prejudicadas, quase destruídas por relações com homens descomprometidos com o bem-estar, o equilíbrio, o futuro, a saúde psico-emocional de mulheres de quem eles recebem muito! Dando quase nada em troca.

Que os homens não suponham que eu os tomo por carrascos, cafajestes ou coisa assim. Não. Pelo menos não a todos. Como já expliquei em outro post (POR QUE OS HOMENS TRAEM), também eles são vítimas de complexos e outras armadilhas psicológicas. Incomodam-me, sim, aqueles que sequer param para refletir nos resultados das próprias ações, que agem como se ainda fossem crianças inconseqüentes ou seres primitivos, meramente instintivos.  

Viver em constante estado de perturbação, sofrendo perdas de todos os tipos (a maior delas, a passagem do tempo sem construir um futuro em bases realistas) indica que a mulher pode ter deixado de se amar (se é que algum dia o fez). Em vez de estar amando um homem que desconstrói, está, na verdade, vivendo uma obsessão; pode estar “travada” num processo patológico.    As conseqüências fisiológicas não tardam a surgir: ansiedade, enxaqueca, dores de diferentes tipos, estresse físico e emocional, palpitações, perturbações gastrointestinais, distúrbio do sono e depressão, entre outras. As perdas econômicas também vêm à galope.

“Toda mulher já nasce pra morrer de amor”. Que as mulheres se neguem a acreditar nisso. É um pensamento infeliz. E viver acreditando nisso, uma postura auto-destrutiva. Em vez disso, que elas dêem o grito de libertação, que façam movimentos em prol da própria salvação, da cura dos complexos que a aprisionam a relações de sofrimento.  

O tom talvez raivoso desta reflexão tem origem no estado de sofrimento, no grau de desestruturação de uma paciente que comecei a atender esta semana. Claro que pode também ser resultante de projeções.

 

Postado por Carmelita Rodrigues