Alguém me enviou por e-mail uma crônica[bb] mui bela, escrita por Maria Sanz, no blog NO MEIO DAS FLORES. O título é DA MINHA PRECOCE NOSTALGIA. Retrata uma conversa imaginária de uma octogenária com a neta, que ouve sugestões valiosas para aproveitar a vida. Coisas como:

“Tenha poucos e bons amigos[bb]. Tenhafilhos[bb]. Tenha um jardim[bb]. Aproveite sua casa[bb], mas vá a Fernando de Noronha[bb], a Barcelona[bb] e à Austrália[bb]. Cuide bem dos seus dentes[bb].
Experimente, mude, corte os cabelos[bb]. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.
Não corra o risco de envelhecer dizendo “ah, se eu tivesse feito…”
Tenha uma vida rica de vida.
Vai que o carteiro ganha na loteria – tudo é possível, e o futuro, tsc, é imprevisível.
Viva romances de cinema[bb], contos de fada e casos de novela.
Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor[bb].
E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável. Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança,[bb] carinho ou status.”

Gaste mais uns minutinhos e leia todo o texto no link acima.

“Quando nos empenhamos em ser bons demais, acabamos engendrando, em nosso inconsciente, a reação oposta. Se tentamos viver demais sob a luz, uma quantidade equivalente de treva irá se acumulando dentro de nós. Se ultrapassamos os limites de nossa capacidade natural para  o amor e a bondade, acabamos criando dentro de nós mesmos a parcela exata oposta de ódio e crueldade. A psicologia adverte as pessoas contra a tentativa de quererem ser melhores do que são e insiste que, ao invés de lutar demais por uma ‘bondade forçada’, o que importa é tomar consciência e viver, não em função de ideais que não conseguimos acompanhar, mas sim a partir do centro interior de cada um, que é o único elemento capaz de nos colocar em equilíbrio.”

O trecho acima é do livro MAL – O LADO SOMBRIO DA REALIDADE, de John A. Sanford (Ed. Paulus, pág. 35). Indispensável para quem deseja dar os primeiros passos na compreensão da impossibilidade de sermos santos. E de compreender que nem Deus espera isso de nós.  Fala de Sombra, esse arquétipo que conduz muito de nossa vida e pode ser fator de destruição, se não for reconhecido, se for negado, em vez de ser integrado. A sombra é  o lado obscuro, ameaçador e indesejado de nossa personalidade. É a parte de nós reprimida por causa do ideal do ego (aspiração de padrões considerados ideais por nós, pelos nossos pais ou  pela sociedade). Em um dos mais interessantes capítulos, comenta a superioridade espiritual e psicológica de Jesus em comparação a Paulo de Tarso, e como Cristo não pregava a falsa bondade, ao contrário. O livro introduz também o conceito de “persona”, a  máscara a qual recorremos, uma “vestimenta” de que nos servimos para estar  no mundo. A persona tem função psicológica social e útil, mas deve ser vista por nós como tal: apenas uma persona, e não nossa configuração real. Conhecer essas e outras subpersonalidades é de fundamental importância para a saúde e até para a adequação social (o que conduz à qualidade de  vida). Para não me estender, sugiro a leitura da obra, de estilo leve, compreensível por todos, enfim, um leitura a um só tempo útil e agradável.

 O Profeta Gentileza vem aí! Mais vivo do que nunca em imagem e mensagem! Será personagem de uma novela da TV Globo que está em fase de gravação: Caminho das Índias (substituta de A Favorita). Gentileza será interpretado por Paulo José e ficamos torcendo para que o pensamento desse fabuloso personagem da vida real tenha sido devidamente compreendido e que sua mensagem não sofra distorções. Gosto de pensar no Profeta  Gentileza como um misto de Jesus Cristo e Francisco de Assis. Em comum eles têm pelo menos uma coisa: os três foram chamados de loucos por amarem e pregarem o amor. É esse sentimento que pulsa em nós ao aprofundarmos a reflexão sobre as palavras de Gentileza e ao ouvirmos a música gravada por Mariza Monte em homenagem a ele. O link a seguir é para compartilharmos essa emoção:Gentileza.

P.S.: Se você gostar, veja também o post Gentileza (II), acima.

Postado por Carmelita Rodrigues

Já se sabe que uma mulher pode ser inteligente e não saber se proteger de relações amorosas destrutivas. Pode ter uma carreira de sucesso e não ser inteligente no âmbito emocional. Porque ser inteligente na vida amorosa é muito diferente de ser inteligente em aspectos práticos ou meramente intelectuais. E porque não se trata apenas de tipos diferentes de inteligência (predomina atualmente a aceitação da existência de sete tipos de inteligência: a lingüística; lógico-matemática; visual-espacial; musical, corpóreo-cinestésica; interpessoal e intrapessoal).

Muitas vezes, uma mulher age de modo “pouco inteligente” movida por fatores alheios à capacidade intelectual ou racional dela. Pode ser, por exemplo, em decorrência de “complexos psicológicos”, como o paterno, materno, de inferioridade ou o de salvadora, para citar alguns. Em terapia é possível identificar que forças psíquicas e até arquetípicas levam-na a envolver-se e a permanecer envolvida em relacionamentos de extremo sofrimento, desgaste energético e enormes prejuízos.

Pense numa mulher que se envolve com um homem problemático, infantilizado, dependente ou não de drogas/álcool, inseguro, pouco ou nada atento às necessidades afetivas dela (e também financeiras, pro que não?), além de ser agressivo. Mesmo sofrendo com as “respostas comportamentais” inadequadas do parceiro, ela se diz apaixonada por ele, sente-se incapaz de ficar sem esse “amor”. Por trás dessa emoção aprisionante quase sempre há elementos como: falta de referencial de relação de qualidade (falta de modelo adequado de namorado/marido que valha a pena), expectativas baseadas em ilusões, aprendizado de fantasiar a realidade e/ou repetição de modelo de relação vivido pela própria mãe ou um forte complexo de inferioridade, entre inúmeras possibilidades de “afastamento” da saúde.

Intrincados complexos psicológicos controlam as emoções, os pensamentos e os comportamentos das pessoas, de modo inconsciente, levando-as a entrar em ciclos viciosos de erros e sofrimentos como se estivessem presas em areia movediça que a puxa para baixo a medida que se debatem para sair do fundo do poço. Os complexos são como entidades independentes ou sub-personalidades que parecem se rebelar e querer fazer valer uma vontade própria. É preciso identificar a presença dessas forças psíquicas e “esvaziar” os complexos para promover a inversão necessária: controlar as próprias emoções em vez de sermos dominados por elas.

Quando uma mulher conhece a si própria, ainda que em profundidade parcial, ela alcança a compreensão racional e emocional de que ser inteligente na vida profissional e na vida emocional é buscar uma relação a dois que a faça mais feliz do que sofredora; é ter um namoro ou casamento que propicie o crescimento de ambos; é recusar relacionamentos apenas problemáticos; é separar-se de pessoas que a controlam e das que afetem sua auto-estima; é recusar “amor de migalhas”. 

Quase todas as mulheres, em algum momento de suas vidas, vivem paixões desestruturantes, obsessivas, pouco compensadoras. Não reside nisso nenhum motivo de auto-condenação. São as descobertas da viva. São os processos necessários de crescimento. O aspecto patológico, o grande erro é permanecer num envolvimento afetivo desse gênero além do tempo necessário para constatar que na relação custo-benefício o resultado é negativo para ela.

Passar sozinha finais de semana, feriados, datas festivas e outros eventos tradicionais sucessivas vezes, enquanto o “namorado” vive esses momentos com outras pessoas, ficar sem companhia para compartilhar alegrias e dificuldades, para ir ao teatro, ao cinema ou reuniões de amigos e ainda assim permanecer fiel a essa emoção é na verdade abdicar da felicidade, é autopunição, é viver em ilusão. Refiro-me, nesse caso, às mulheres que sofrem por estarem apaixonadas por homens casados, situação bem comum na nossa sociedade, herdeira de valores machistas.

Não vivemos em cultura que aceita mais de uma esposa por homem, mas tacitamente autoriza os machos a terem parceiras não reconhecidas – uma prática mais nociva do que a anterior, posto que no Oriente Médio é permitido a um homem ter mais de uma esposa DESDE QUE ELE CUIDE IGUALMENTE DE TODAS AS MULHERES.

Por aqui, como em Portugal, possivelmente de onde veio tal herança maldita, os homens não ficam só com uma mulher, não passam anos a fio amando, beijando uma única mulher, se divertido só com uma, sendo “confirmados” apenas por uma mulher, mas acreditam ter obrigação de cuidar, de se preocupar apenas com a mulher oficial, aquela a quem chamam de esposa, mas à qual não dedicam lealdade afetiva nem sexual. A conseqüência: sofrimento, muito sofrimento! E adoecimento.   

Recebemos em consultórios de psicologia grande número de mulheres afetadas, prejudicadas, quase destruídas por relações com homens descomprometidos com o bem-estar, o equilíbrio, o futuro, a saúde psico-emocional de mulheres de quem eles recebem muito! Dando quase nada em troca.

Que os homens não suponham que eu os tomo por carrascos, cafajestes ou coisa assim. Não. Pelo menos não a todos. Como já expliquei em outro post (POR QUE OS HOMENS TRAEM), também eles são vítimas de complexos e outras armadilhas psicológicas. Incomodam-me, sim, aqueles que sequer param para refletir nos resultados das próprias ações, que agem como se ainda fossem crianças inconseqüentes ou seres primitivos, meramente instintivos.  

Viver em constante estado de perturbação, sofrendo perdas de todos os tipos (a maior delas, a passagem do tempo sem construir um futuro em bases realistas) indica que a mulher pode ter deixado de se amar (se é que algum dia o fez). Em vez de estar amando um homem que desconstrói, está, na verdade, vivendo uma obsessão; pode estar “travada” num processo patológico.    As conseqüências fisiológicas não tardam a surgir: ansiedade, enxaqueca, dores de diferentes tipos, estresse físico e emocional, palpitações, perturbações gastrointestinais, distúrbio do sono e depressão, entre outras. As perdas econômicas também vêm à galope.

“Toda mulher já nasce pra morrer de amor”. Que as mulheres se neguem a acreditar nisso. É um pensamento infeliz. E viver acreditando nisso, uma postura auto-destrutiva. Em vez disso, que elas dêem o grito de libertação, que façam movimentos em prol da própria salvação, da cura dos complexos que a aprisionam a relações de sofrimento.  

O tom talvez raivoso desta reflexão tem origem no estado de sofrimento, no grau de desestruturação de uma paciente que comecei a atender esta semana. Claro que pode também ser resultante de projeções.

 

Postado por Carmelita Rodrigues

Em 1764 Voltaire, em seu Dicionário Filosófico, fez a seguinte definição: “Amizade é um contrato tácito entre duas pessoas sensíveis e virtuosas. Sensíveis porque um monge, um solitário, pode não ser ruim e viver sem conhecer a amizade. Virtuosas porque os maus não atraem mais que cúmplices. Os voluptuosos carreiam companheiros na devassidão. Os interesseiros reúnem sócios. Os políticos congregam partidários. O comum dos homens ociosos matém relações. Os príncipes têm cortesãos. Só os virtuosos possuem amigos.”

 

E já que estamos falando de sentimentos, o que foi dito sobre o amor?  Camões disse: “Amor é um fogo que arde sem se ver; é ferida que dói e não se sente; é um contentamento descontente; é dor que desatina sem doer.”  

Vejamos o que Voltaire diz sobre o amor: “O amor é a estopa da natureza bordada pela imaginação. Quereis ter uma idéia do amor? Vede os pardais do vosso jardim. Vede vossos pombos. (…).”

 

Postado por Carmelita Rodrigues, em 09.10.08

 

 

 

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