O Jardim Secreto[bb] é um filme de de clima mágico, repleto de arquétipos, como  bem enxergou o leitor deste blog que sugeriu o filme.  O personagem principal, uma menininha de 10 anos, muito inteligente e sensível, lembra a Pollyanna[bb], do livro de Heleanor  H. Porter[bb], mas é mais humano, mais próximo de nós, seres humanos falhos, com sentimentos do tipo inveja, ciúme, raiva e explosões emocionais. Isso torna o filme[bb] um referencial mais concreto .  Nos dois casos há a presença de uma criança[bb] devolvendo a vida a adultos traumatizados. E quem pode resistir ao impulso para a vida que há em uma criança? O ímpeto incontrolável, a franqueza que leva à reflexão,  o resgate da alegria[bb]. No filme, Mary, a protagonista,  faz milagres totalmente possíveis que arrancam lágrimas dos telespectadores  mais sensíveis.  Outra figura associada ao arquétipo de Salvador (o primeiro é a própria Mary) é a doce Martha, uma serviçal humilde que revela admirável elevação espiritual[bb], capaz de se colocar acima de ofensas ou tentativas de humilhação. Com doçura e perspicácia ela conquista desde a governanta rigorosa à arrogante menininha que se sente assustada ao ser transferida para uma casa[bb] sombria com  mais de cem quartos, mas nenhuma acolhida ou diversão para crianças. Mary nasce na Índia, onde é criada em meio  a muito luxo e caprichos.   Apesar da riqueza, sofre com a falta de atenção de pais egoístas e fúteis. É malcriada e intratável. Quando esses pais morrem, ela é levada para morar com um tio, que havia se casado com a irmã gêmea da mãe de Mary, na Inglaterra. Esse tio, um lorde influente e temido, perde a esposa amada  e, abalado, desiste da vida, do filho e manda trancar o jardim[bb] preferido da mulher. É o arquétipo do amor eterno[bb] ou de alma gêmea[bb]. O filho cresce enclausurado no quarto, adoecido e impedido de ver o sol e sentir o vento:  tentativa de evitar germes que o matariam mais rápido do que as supostas doenças que já o acometiam. É um menino assim, morto-vivo, que Mary descobre vasculhando a enorme mansão, às escondidas e se esquivando da amedrontadora  governanta. O encontro dos dois primos altera não só a vida do garoto, mas toda a rotina da casa. Outra figura simbólica é o irmão da empregada Martha, um garotinho doce como a irmã e belo como um príncipe[bb]. É ele quem apóia as traquinagens de Mary e, juntos, ele resolvem recuperar o jardim, cuja entrada  a menina descobre seguindo um passarinho[bb], chamado no filme de sabiá, mas que na verdade é um Pisco de Peito Ruivo. Um belo momento do filme é uma troca de olhares entre os dois, simbolizando a admiração recíproca e insinuando um encantamento que desperta o ciúme do primo. Mary salva o primo das crenças pessimistas, devolve ao tio o desejo de viver e salva a si própria, ao aprender a fazer amigos[bb]e a chorar. Qualquer descrição do filme, por mais longa que seja, não será capaz de retratar com fidelidade a beleza da história[bb].

Ficha técnica:

  • (The Secret Garden)
  • Ano de lançamento ( EUA ) : 1993
  • Direção: Agnieszka Holland
  • Atores: Kate Maberly , Heydon Prowse , Andrew Knott , Maggie Smith , Laura Crossley
  • Duração: 01 hs 41 min

Por que os relacionamentos homem-mulher freqüentemente fracassam ou são permeados de muito sofrimento, frustrações e até crimes contra a vida? Uma resposta possível entre tantas é: por causa das expectativas, das exigências impossíveis de serem atendidas. Para nós ocidentais a experiência do amor romântico é um complexo conjunto psicológico, uma combinação de ideais, crenças, valores, atitudes, anseios e expectativas, por vezes contraditórias, existentes em nosso inconsciente e que se manifestam em forma de emoções, sensações e comportamentos. Mesmo sem nos darmos conta, por ser fenômeno resultante de forças inconscientes, predeterminamos como deve ser nosso relacionamento com o parceiro ou a parceira, o que devemos sentir e em que deve resultar a relação. Fazemos projeções inconscientes e com base nelas cobramos dos nossos parceiros a realização de nossos anseios mais profundos.

Quase sempre essas expectativas levam à elaboração de um “contrato” unilateral. O outro raramente concorda ou sequer está a par das cláusulas desse “instrumento”. Não que as partes ajam de má fé; como já foi dito, é algo inconsciente. E mesmo quando o compromisso é “assinado” pelas duas partes ocorrem desentendimentos.

Homem e mulher desenvolvem o lado sentimental de modo diferente; a experiência de envolvimento amoroso tem para as mulheres nuances sutis que os homens vivenciam de forma diversa devido a inúmeros fatores. Um forte impedimento para o amor romântico construtivo é a predominância de valores patriarcais, em detrimento dos aspectos femininos do ser humano. Em essência, homem e mulher tem o yin e o yang (masculino e feminino), são compostos por animus e anima em suas essências. E essas duas partes de cada um devem estar integradas. Caetano Veloso cantou: “ser um homem feminino, não fere o meu lado masculino”. Não somente não fere, como faz dele um ser completo, melhor.

Orientados pelo anseio de completude e vivendo num mundo de dominação patriarcal em que a força e as virtudes do feminino foram subjugados, a maioria dos homens busca na mulher o seu lado feminino perdido, os valores femininos da vida e suas tentativas para vivenciá-los por meio da mulher. Igualmente influenciadas pela versão patriarcal da realidade, as mulheres buscam nos homens valores masculinos. Muitas gastam toda a vida alimentando sentimento de inferioridade em relação ao homem ou competindo com eles para se sentirem em pé de igualdade. Em que pode resultar o relacionamento entre um homem em conflito com sua anima, plenamente dominado pelo animus, e uma mulher igualmente distanciada de seu animus, tomada apenas pela anima?

Freqüentemente, nesses casos ou naqueles em que apenas uma das partes está sem a integração da sua dimensão complementar, há uma busca equivocada de plenitude no outro, na noção fantasiosa de que existe perdida por aí uma alma gêmea, uma banda de si que está desgarrada e, se for encontrada, irá completar o sentido da vida. Na verdade, essa parte oposta está dentro de cada um e a sensação de completude só ocorre quando acontece a aceitação e a integração do masculino com o feminino dentro de cada um de nós.

Há um princípio alquimista que diz: “só o que está separado pode ser devidamente unido.” Coisas e pessoas “misturadas” de forma confusa terão que ser desembaraçadas, separadas e identificadas antes de serem unidas em novo elemento. A separatio “dá ensejo à existência consciente; é a separação entre sujeito e objeto, entre o eu e o não-eu” (Edinger, 2005).

Esse é o objetivo maior da psicoterapia: separar conteúdos, sentimentos, valores confusos e todos os emaranhados do psiquismo, abrindo caminho rumo à individuação, à busca da totalidade do ser. Posteriormente, neste espaço, ampliaremos essa visão do homem integrado com seu lado feminino e da mulher com sua dimensão masculina num texto sobre o livro Parceiros Invisíveis, do escritor John A. Stanford.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

. Edinger, Edward F. Anatomia da Psique: O Simbolismo Alquímico da Psicoterapia. São Paulo, Editora Cultrix, 2005.

. Johnson, Robert A. Imaginação Ativa (Inner Work): como trabalhar com sonhos, símbolos e fantasias. São Paulo, Editora Mercuryo, 2003.

. ________ We: A Chave da Psicologia do Amor Romântico. São Paulo, Editora Mercuryo,1989.

. Jung, C. Gustav. Psicologia e Religião. Petrópolis. (RJ), Ed. Vozes, 1984.

. ________ Memórias, sonhos e Reflexões. São Paulo, Ed. Nova Fronteira, 2005.

. Stein, Murray.Jung, o Mapa da Alma. São Paulo, Editora Cultrix, 2006.

Por que os relacionamentos homem-mulher freqüentemente fracassam ou são permeados de muito sofrimento, frustrações e até crimes contra a vida? Uma resposta possível entre tantas é: por causa das expectativas, das exigências impossíveis de serem atendidas.

Para nós ocidentais a experiência do amor romântico é um complexo conjunto psicológico, uma combinação de ideais, crenças, valores, atitudes, anseios e expectativas, por vezes contraditórias, existentes em nosso inconsciente e que se manifestam em forma de emoções, sensações e comportamentos.

Mesmo sem nos darmos conta, por ser fenômeno resultante de forças inconscientes, predeterminamos como deve ser nosso relacionamento com o parceiro ou a parceira, o que devemos sentir e em que deve resultar a relação. Fazemos projeções inconscientes e com base nelas cobramos dos nossos parceiros a realização de nossos anseios mais profundos (entenda melhor isso lendo o post Nos desentendimentos amorosos, escolha entre a espada e a harpa ).

Quase sempre essas expectativas levam à elaboração de um “contrato” unilateral. O outro raramente concorda ou sequer está a par das cláusulas desse instrumento. Não que as partes ajam de má fé; como já foi dito, é algo inconsciente. E mesmo quando o compromisso é “assinado” pelas duas partes ocorrem desentendimentos.

Homem e mulher desenvolvem o lado sentimental de modo diferente; a experiência de envolvimento amoroso tem para as mulheres nuances sutis que os homens vivenciam de forma diversa devido a inúmeros fatores.

Um forte impedimento para o amor romântico construtivo é a predominância de valores patriarcais, em detrimento dos aspectos femininos do ser humano. Em essência, homem e mulher tem o yin e o yang (masculino e feminino), são compostos por animus e anima em suas essências. E essas duas partes de cada um devem estar integradas. Caetano Veloso cantou: “ser um homem feminino, não fere o meu lado masculino”. Não somente não fere, como faz dele um ser completo, melhor.

Orientados pelo anseio de completude e vivendo num mundo de dominação patriarcal em que a força e as virtudes do feminino foram subjugados, a maioria dos homens busca na mulher o seu lado feminino perdido, os valores femininos da vida e suas tentativas para vivenciá-los por meio da mulher.

Igualmente influenciadas pela versão patriarcal da realidade, as mulheres buscam nos homens valores masculinos. Muitas gastam toda a vida alimentando sentimento de inferioridade em relação ao homem ou competindo com eles para se sentirem em pé de igualdade.

Em que pode resultar o relacionamento entre um homem em conflito com sua anima, plenamente dominado pelo animus, e uma mulher igualmente distanciada de seu animus, tomada apenas pela anima?

Freqüentemente, nesses casos ou naqueles em que apenas uma das partes está sem a integração da sua dimensão complementar, há uma busca equivocada de plenitude no outro, na noção fantasiosa de que existe perdida por aí uma alma gêmea, uma banda de si que está desgarrada e, se for encontrada, irá completar o sentido da vida. Na verdade, essa parte oposta está dentro de cada um e a sensação de completude só ocorre quando acontece a aceitação e a integração do masculino com o feminino dentro de cada um de nós.

Há um princípio alquimista que diz: “só o que está separado pode ser devidamente unido.” Coisas e pessoas “misturadas” de forma confusa terão que ser desembaraçadas, separadas e identificadas antes de serem unidas em novo elemento. A separatio “dá ensejo à existência consciente; é a separação entre sujeito e objeto, entre o eu e o não-eu” (Edinger, 2005). Esse é o objetivo maior da psicoterapia: separar conteúdos, sentimentos, valores confusos e todos os emaranhados do psiquismo, abrindo caminho rumo à individuação, à busca da totalidade do ser.

Posteriormente, neste espaço, ampliaremos essa visão do homem integrado com seu lado feminino e da mulher com sua dimensão masculina num texto sobre o livro Parceiros Invisíveis, do escritor John A. Stanford.

Referências bibliográficas:

. Edinger, Edward F. Anatomia da Psique: O Simbolismo Alquímico da    

  Psicoterapia. São Paulo, Editora Cultrix, 2005.

. Johnson, Robert A. Imaginação Ativa (Inner Work): como trabalhar com  

  sonhos, símbolos e fantasias. São Paulo, Editora Mercuryo, 2003.

. _________ . We: A Chave da Psicologia do Amor Romântico. São Paulo,

  Editora Mercuryo,1989.

. Jung, C. Gustav. Psicologia e Religião. Petrópolis (RJ), Ed. Vozes, 1984.

. ________ . Memórias, sonhos e Reflexões. São Paulo, Ed. Nova Fronteira, 2005.

. Stein, Murray. Jung, o Mapa da Alma. São Paulo, Editora Cultrix, 2006.