Um laudo psicológico pode ser operacionalmente definido como um parecer técnico, baseado em procedimentos de mensuração e em estudo, que fornece uma avaliação psicológica do indivíduo ou do grupo. Esta avaliação é um julgamento comparativo deste procedimento, face a parâmetros psicológicos definidos “a priori”, de acordo com um dado quadro referencial teórico. Ela visa a fornecer informações de natureza psicológica sobre o indivíduo ou grupo, com o objetivo de subsidiar profissionais na tomada de decisões técnicas a respeito de alternativas de ação a serem seguidas.

Assim, o laudo encaminhado a não psicólogos deve atender às necessidades dos solicitantes, desde que não fira o Código de Ética Profissional. Isto implica que sua solicitação deve ser bastante explícita. Neste sentido, o psicólogo poderia discutir anteriormente com o profissional solicitante o objetivo do pedido e a natureza das informações desejadas em cada caso, de modo a orientar o trabalho ou tomada de decisão, ajustando a linguagem do laudo a quem o solicitou.

O laudo deverá ser negado quando não houver justificativa ou o pedido for indevido. Ao psicólogo compete o limite das informações que devem ser dadas. Serão apresentados, a seguir, alguns exemplos a título de ilustração, sem a pretensão de esgotar o assunto ou de prescrever modelos.

Quando um cirurgião solicita um laudo psicológico para decidir sobre uma cirurgia plástica, supõe-se que, dentre os aspectos relevantes, necessários ou essenciais, deveriam constar aqueles sobre a capacidade de adaptação a situações novas, a auto e heteroimagem. Esse tipo de laudo seria, provavelmente, diferente quanto à natureza de suas informações de um laudo dirigido a um neuropediatra que, certamente, necessitará de informações na área psicomotora e comportamental da criança, além do nível de desempenho intelectual.

Outro tipo de laudo poderia ser um dirigido a uma equipe de reabilitação profissional que, além de alguns dados selecionados sobre a personalidade do cliente, necessitará de informações a respeito de suas habilidades, aptidões e interesses, sugerindo os papéis ocupacionais que possam ser por ele desempenhados.

Deve-se ter em mente que em cada estudo de caso, dois aspectos básicos precisam ser dimensionados:

1.       O motivo da solicitação do laudo. Para que se solicita o laudo?

2.       As informações necessárias e suficientes  para satisfazerem à solicitação feita. Que conteúdo deve ter o laudo para servir à solicitação?

Na área organizacional, o uso de relatório deve se ater estritamente  aos objetivos propostos ou seja:

. escolher o indivíduo adequado para desempenhar cargos, funções e tarefas    preestabelecidas ;

. indicar diretizes e procedimentos para tornar o indivíduo capaz de desempenhar aqueles papéis  organizacionais;

. não fazer avaliações depreciativas tais como “regular”ou “sofrível” sobre os candidatos que, embora tenham sido aprovados, não apresentaram rendimento muito bom. Poder-se-á classificá-los como  “rendimento em torno da média”, sem rotular;

. nunca fazer laudos sobre candidatos contra-indicados. Informar apenas: “o candidato X não apresentou, no momento, os atributos necessários à função pretendida”.

Se a empresa solicitante dispuser de vagas para outras funções em que poderão ser aproveitados alguns dos candidatos  considerados “não recomendados ou contra-indicados”. Acrescentar à informação : poderá, no entanto, exercer satisfatoriametne  a função de …, pois apresenta …” (citar atributos indicados para outra função).

Na área educacional… (continua no próximo post.)

Texto: Otávio de Abreu Leite, elaborado para o CRP-01 (Conselho Regional de Psicologia do DF, AC, AM, RO,RR)

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