“No consultório, trabalhamos com a fala frente ao paciente, este é o instrumento de nosso trabalho, como o dentista que escolhe cuidadosamente o melhor material para aplicar ao paciente, negligenciar o que falamos é como não usar a “broca” da melhor qualidade.

Qual a língua do inconsciente? Como se traduz o inconsciente, que faz parte da alma, e também a própria consciência?
Etimologicamente, psicologia (logos da psique) significa razão, discurso, juízo da alma, ou seja temos a tarefa de compreender a alma, e de encontrar a discurso da psique.
Não serve qualquer coisa, qualquer palavra.
Qual a linguagem que traduz a fala da alma? Se é que ela pode ser traduzida… ”

Os trechos acima são de um artigo que avalia e comenta a função da fala na “cura” ou na compreensão e na organização (por parte do paciente e do terapeuta) de conteúdos psíquicos. O tema é extenso e o texto, de Priscila Valente Alonso, é apenas um instigante convite à reflexão maior, mas vale a pena ser lido, entre outros aspectos pela crítica que faz ao academicismo exacerbado.

“Penso que poderíamos tentar utilizar a fala, nosso instrumento, escolhendo mais amorosamente as palavras e menos cientificamente”, acrescenta a autora do texto.

Destaco outro trecho pela clareza e relevância das idéias:

“A fala afinada, em sintonia com a alma, evoca em quem escuta novas histórias, novos discernimentos, novas imagens, fantasias, recordações, nos conduzindo à participação imediata ao conteúdo que nos é trazido. A alma fala muitas línguas”.

Postado por Carmelita Rodrigues – 14 de julho de 2008